Arquivo da tag: Reflexão

Façamos bons sapatos

Imagem

Nesta quinta-feira, 31/10, comemorou-se os 496 anos da Reforma Protestante. Neste dia, no longínquo ano de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero pregou suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg(Alemanha), onde condenava os desvios da Igreja Católica da época em relação aos ensinos da Bíblia. A partir deste marco, uma série de mudanças foi ocorrendo por toda a Europa resultando, entre outras coisas, na plantação de igrejas como a nossa no Brasil.

Poderia discorrer aqui sobre os impactos espirituais da Reforma, sobre seu lema (os 5 Solas) ou sobre a obstinação de homens como Lutero na defesa da Palavra de Deus. Poderia escrever, também, sobre os impactos dela na educação, arte, economia, justiça social e tantas outras esferas da sociedade. Porém, decidi abordar um ponto pouco falado que foi uma das mais importantes contribuições da Reforma para a Igreja Moderna: o resgate da vocação.

Vocação é a tendência ou aptidão de alguém para desenvolver uma atividade ou um ofício. Médico, pedreiro, advogado, feirante, enfim, qualquer atividade.  Porém, de forma absolutamente errada, entende-se que para servir a Deus plenamente a pessoa precisa de um chamado especial, como o de pastor, missionário, entre outras funções eclesiásticas. Os outros só poderiam servir a Deus no culto, e como meros coadjuvantes. Este foi um dos pontos que os reformadores criticaram, e com base bíblica. O texto de 1 Pedro 2:9 é claro quando diz que: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

Tudo bem, mas, como eu posso usar meu ofício para isso? Diz-se que certa vez um sapateiro chegou para Lutero e perguntou como poderia fazer para servir a Deus. Provavelmente esperava que ele o incentivaria a fechar a sapataria e se dedicar exclusivamente à pregação do Evangelho. A resposta de Lutero, porém, foi surpreendente. “Faça um bom sapato e venda por um preço justo”. Isto é maravilhoso! Podemos servir a Deus com a nossa profissão, ser sal e luz do mundo no lugar onde estivermos. Afinal foi Deus quem nos colocou ali. E não só para levarmos a sua Palavra como para, com nossas atitudes, darmos uma pequena amostra do que é e será o Seu Reino. Logo, o trabalho é uma benção de Deus e todos estamos em missão para que “venha a nós o Seu Reino”.

Pense nisso esta semana quando estiver servindo a Deus atendendo pessoas, consertando uma porta ou vendendo um produto. “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens”. (Cl 3:23). Glorifique a Deus com seu trabalho!

Soli Deo Gloria

 * Texto originalmente escrito como pastoral do boletim da ICE Nova Vida do dia 03/11/2013

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Pensamentos sobre a Teologia Reformada (ou preconceito gera preconceito)

Tenho lido e ouvido uma série de opiniões sobre a Teologia Reformada. De odes de adoração que a colocam como salvadora do mundo a críticas que a colocam como uma ideia ultrapassada, elitista e segregacionista. Cá entre nós, nós Reformados temos contribuído pra muito do preconceito que nos cerca. Inclusive destilando nosso preconceito contra os que pensam diferente. Quero aqui colocar alguns pontos que creio que podem ajudar na busca por um tão importante equilíbrio. Farei a exposição por tópicos. Como diz o próprio título, isso nada mais é que uma série de pensamentos transcritos.

Predestinação: Para muitos aqui está toda a razão e sentido do Calvinismo (ou da Teologia Reformada). O problema é que muitos desses se intitulam calvinistas… Ledo engano. A doutrina da eleição/predestinação nunca foi o principal foco nem de Calvino, nem dos reformadores de sua escola nem de reformados propriamente ditos. Essa doutrina nada mais é que uma das consequências do que é sim o foco da Doutrina Reformada: a soberania de Deus. A célebre frase do pensador holandês Abraham Kuyper define bem esse pensamento. “Não ha nada na existência humana que. Cristo não possa dizer: É MEU”. Logo, infere-se logicamente que a Salvação também é uma prerrogativa executada e definida por Deus. Ele soberanamente decide quem Ele salvará. Com que critério? Seu amor. Por que uns e não outros? Aí, honestamente, não tenho nem ideia. No meu caso posso dizer que se Ele não tivesse me escolhido eu teria sérios problemas, pois eu certamente não O escolheria.

 Obsolescência: Outra crítica muito difundida é que o pensamento reformado é obsoleto, que não é mais relevante ao nosso tempo. Se aceitarmos que Aristóteles, 1800 anos distante da Reforma, pode ser relevante até hoje, não faz sentido taxar assim o pensamento reformado. Inclusive, uma pesquisa recente da revista Times coloca o Calvinismo entre as 10 ideias que estão mudando a cultura dos Estados Unidos. Novamente o preconceito é bastante influenciado pelo comportamento de alguns “reformados”. Práticas que faziam sentido há quase 5 séculos não têm como fazer sentido aos nossos tempos. Porém, o conceito era tão a frente de seu tempo que não tem como ser classificado de obsoleto. O incentivo ao desenvolvimento científico e artístico à parte do controle da Igreja é um dos pontos que a humanidade deve aos reformados. O estado Laico (em seu sentido verdadeiro, distorcido nos dias de hoje) também. A educação teve uma evolução sem precedentes como a preocupação em alfabetizar a todos para que pudessem ler a Bíblia. Política, direito, linguística e outras tantas áreas do pensamento também foram altamente influenciadas. O Cristianismo, evidentemente, foi o maior beneficiado. A volta ao foco de doutrinas fundamentais, como a justificação pela fé e a supremacia de Cristo e o resgate da importância das Escrituras foram fundamentais para uma retomado ao Evangelho de Cristo. E esse era o foco. Não criar uma nova teologia, mas, resgatar as verdades que haviam sido esquecidas nas Escrituras.

 Arrogância: Se há algo que não faz o menor sentido para um reformado é a arrogância. Se for manter a coerência com a tradição monergista, que entende a total dependência do homem para poder ter qualquer relacionamento com Deus, um reformado jamais poderia se arrogar de seus méritos religiosos. Evidentemente, não é bem isso que se vê. Um salvo só pode ter entendido realmente a profundidade do que houve com ele se, em profunda humilhação, questionar sempre a Deus: “Por que eu Senhor? Por que logo eu”. Entender que não só a salvação é uma obra exclusiva do Deus Trino, mas também o conhecimento real desse Deus é algo fundamental para a fé reformada. E de que se arrogar se não se tem mérito? O pedinte não tem mérito por esticar o braço pra receber sua refeição de um benfeitor. Quanto mais nós que em relação a Deus estamos num estágio bem inferior ao de pedintes. É evidente que muitos se orgulham de serem eleitos e de conhecerem a verdadeira doutrina. Se não tenho nenhuma capacidade de julgar o primeiro caso, posso garantir que o segundo certamente é mentira. Não, não tem como entender verdadeiramente a obra de Deus e se manter arrogante.

Intelectualismo: De certa forma esse item tem muito a ver com o anterior. De fato os reformados tem uma fama de serem mais intelectualizados. Há varias explicações para isso. Primeiro que há muito mais literatura consistente escrita por reformados que por outras matrizes protestantes. Além disso, as doutrinas reformadas são mais sistematizadas e consistentemente apresentadas que a da imensa maioria de outras matrizes protestantes. Um exemplo é a doutrina pentecostal que acaba sendo associada a movimentos que não tem nada a ver como seus pensamentos pela falta de uma declaração de fé mais clara. Fique claro que não estou querendo dizer quem está correto e sim quem tem mais consistência. Há, também, o lado socioeconômico, preponderantemente no caso brasileiro. Igrejas presbiterianas, batistas particulares e outras que seguem a linha reformada tiveram uma penetração muito mais forte nas chamadas classe média e alta que os pentecostais, por exemplo. O acesso a estudo em um país desigual como o nosso é diretamente proporcional com a renda do cidadão. Isso tem mudado e vemos não só uma diminuição das diferenças sociais no país como uma sensível mudança desses padrões econômicos das denominações. Logo creio que esse problema mudará. O que digo para muitos arminianos que conheço ajudaria a mudar um pouco o cenário: Parem de reclamar e produzam literatura de boa qualidade. Temos gente boa demais no meio arminiano como Alvin Plantinga, Roger Olson, Jorge Pinheiro. Seria deveras valioso para o debate que tivéssemos um contraponto! E sim, lemos outras linhas de pensamento! Lemos tantos os acima relacionados como os irmãos Wesley, luteranos, neo-ortodoxos. (E até alguns liberais… hehehe)

Acho que pra um rascunho já tem bastante coisa. Um dia volto ao tema. Creio que nós reformados merecemos esse preconceito que nos é dirigido pelo modo preconceituoso que muitas vezes tratamos outros irmãos. Que nada mais são que isso; irmãos. Enquanto o que nos une for mais forte que o que nos separa, não há motivo para um pensamento sectário. Defender a fé é algo fundamental, mas, pode virar um ídolo se não houver cuidado. Tem sido valioso para mim conviver com alguns pentecostais. Vejo que muito do que pensava sobre eles era totalmente descabido. Vejo, inclusive, o quão longe estão desse lamentável mundo neopentecostal, cujo nome é uma ofensa aos pentecostais históricos. Precisamos sentar mais à mesa e conversar sobre nossas diferenças. Não só diminuirá nossos preconceitos como será de grande valia para a Igreja de Jesus Cristo.

Soli Deo Gloria

 

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

“Por Cristo prontos a sofrer”

Imagem

“Com valor! Sem Temor! Por Cristo prontos a sofrer! Bem alto erguei, o Seu pendão, firmes sempre até morrer.” Este é o refrão do hino que fechou o culto especial do domingo, lembrando da igreja perseguida. Esta data foi criada para nos lembrarmos de irmãos espalhados pelo mundo que sofrem por confessar o nome de Cristo. Antes do hino havia acontecido uma pequena encenação em minha igreja, mas, o que me deixou em crise foi a letra de “Pendão Real”. O refrão deste hino é uma antítese do que se prega atualmente na maioria das igrejas evangélicas no nosso país.

Confesso que ao cantar essa música me senti constrangido. Tanto ao pensar nos milhares de irmãos que vivem em locais onde se dizer cristão é uma pena capital quanto ao lembrar-me das pessoas que padeceram pelo Nome história do Cristianismo. A célebre frase de C.S. Lewis, “se você está à procura de uma religião que o deixe confortável, definitivamente eu não lhe aconselharia o cristianismo”, não reflete o cristianismo mainstream de nossa era. Se não se aceita nem sofrer as agruras da vida cotidiana por ter “a marca da promessa”, o que dirá sofrer pelo Evangelho. Fico em dúvida se temos um problema de desconhecimento ou se realmente ignora-se a História do Cristianismo. Sim, pois o sofrimento por Cristo e o dedicar-se de alma ao nosso Senhor sempre foram marca de nossa História.

O que dizer da parte final do texto de Atos 5? “Os Apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome.” Os Apóstolos haviam sido presos por pregar o Evangelho. Levados ao Sumo Sacerdote foram interrogados e libertados depois da intervenção de Gamaliel, depois de serem açoitados. A reação não foi de indignação com Deus por permitir que eles sofressem. Tampouco reclamaram com os soldados por estarem “tocando nos ungidos” ou reivindicaram os seus direitos como filhos de Deus. Não. Alegraram-se, pois estavam sofrendo por Cristo, por aquele que os libertou das trevas e os trouxe para a luz.

E quanto a Paulo, o grande evangelista dos gentios? Poderia exigir algo das igrejas que ele plantou. Ou poderia, depois de prisões, torturas, naufrágios e perseguições, preferir gozar o final da vida em paz, colhendo os louros da autoridade que tinha sobre os cristãos gentios. Pelo contrário, já em sua derradeira prisão, indo para a morte, escreve a seu filho na fé Timóteo: “Lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos, descendente de Davi, conforme o meu evangelho, pelo qual sofro a ponto de estar preso como criminoso; contudo a palavra de Deus não está presa. Por isso, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus, com glória eterna.” Nosso cristianismo lembra o dele?

O sofrimento não foi exclusivo dos Apóstolos. Quando estava a caminho de Roma para ser julgado, Inácio de Antioquia escreveu uma carta à igreja local. Pedia ajuda? Pelo contrário, pediu para que não impedissem que fosse martirizado. Escreveu: “Sou trigo de Deus, e os dentes das feras hão de me moer, para que possa ser oferecido como pão limpo de Cristo.” Um fim semelhante teve Policarpo de Esmirna. Em seu julgamento final o procônsul Antonio Pio chegou a lhe oferecer clemência por sua idade avançada, contanto que negasse o nome de Cristo. Sua resposta? “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou? Eu sou um crente.”

Talvez por vivermos num contexto totalmente acolhedor a qualquer fé tenhamos dificuldade de entender estes homens e de nos colocarmos em seus lugares. Não hesitamos em dizer que Cristo é tudo para nós e nem pensamos antes de afirmar que topamos qualquer coisa por Ele. Será? Um dos pais apostólicos da Igreja, Tertuliano de Cartago, dizia que “O sangue dos mártires é a semente da igreja.” Estaríamos dispostos a contribuir dessa forma na seara? Difícil saber vivendo no nosso contexto. Vivemos um cristianismo tão confortável onde qualquer obstáculo é chamado de perseguição. No nosso país o cristianismo inspira feriados como o desta semana. Até a novela das 9 terá uma protagonista “evangélica”. Há liberdade para usar as mídias para levantar o pendão (bandeira) de Cristo. Mas, usa-se apenas para pedir dinheiro, atacar os gays, exaltar ”homens de Deus” e criar o lucrativo mercado Gospel. Somos mais de 40 milhões de Evangélicos no Brasil, o segmento religioso que mais cresce nos últimos 20 anos. E no que isso tem refletido? Que bandeira nos caracteriza? Os primeiros cristãos receberam esse nome por parecer com Cristo. E nós? Parecemos com quem?

Por vezes temo que a única maneira da igreja evangélica brasileira se tornar realmente luz em nossa nação é ser perseguida. Sair dessa zona de conforto obtida por ser uma “tendência” do momento para ser uma real contracultura. Temo que seja hora de sermos obrigados a realmente sofrer por Cristo, a precisar de coragem vinda dos céus para professar nossa fé. Espero estar errado, mas, creio que o único meio de o Evangelho deixar de sofrer por conta dos evangélicos é os evangélicos precisarem sofrer pelo Evangelho verdadeiro de Jesus Cristo.

Soli Deo Gloria

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Ser como criança

jesus e crianças

Agua: Transparência que se pode tomar

Branco: O branco é uma cor que não pinta

Céu: De onde sai o dia

Escuridão: É como o frescor da noite

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus

Paz: Quando

a pessoa se perdoa

Tempo: Coisa que passa para lembrar

Universo: Casa das estrelas

Violência: Parte ruim da paz

As definições acima parecem de algum grande poeta ou mesmo de um filósofo. Algumas guardam uma profundidade enorme na simplicidade em que foram formuladas. Outras, de tão simples, assustam. Quem seria o gênio por trás disso? Ao contrário da maioria das pensatas da internet, sempre atribuídas a mestres das letras, estas definições foram cunhadas por crianças colombianas participantes de um interessante projeto. O livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças” é uma compilação feita pelo professor de educação infantil Javier Naranjo e contém estas definições que têm sido amplamente espalhadas pela web. Vejo adultos, com razão, encantados com a sabedoria destes pequeninos. Mas, o que isso tem a ver com o Reino de Deus? Tudo.

Num dado momento de seu ministério, trouxeram algumas crianças para que Jesus orasse por elas. Os discípulos, verdadeiros adultos, se irritaram e tentaram afastá-las.  “Então disse Jesus: ‘Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas’” [1] Imagino o que poderia ter passado na cabeça daqueles homens. “O que o Mestre quis dizer dessa vez?” Numa cultura que valorizava tento o saber dos anciãos e que nem contava crianças entre seus cidadãos (assim como mulheres), uma frase dessas tinha um potencial altamente intrigante. O que Ele quis dizer?

Vou dizer o que penso disso, sem nenhuma pretensão de ser o dono da melhor interpretação. Certamente Jesus não estava falando sobre pecado. Sim, pois além do pecado adâmico, herdado por todos, é de uma inocência muito grande olhar uma criança como um ser sem pecados. Crianças podem ser cruéis com as outras, basta vermos o que o bullying faz na vidinha de algumas delas. Sabem muito bem serem egoístas, mentirosas, desobedientes… Jesus não falava de uma pureza moral impossível a um humano. Creio que Ele se referia à outra pureza. A uma pureza de pensamento, de conceitos. A uma pureza bem característica do coração ensinável. Creio que Cristo se referia a um modo todo especial de ver o mundo que os pequeninos possuem; um modo lúdico, poético. Crianças não estão contaminadas com conceitos enlatados, com filosofias, teologias e ideologias que acabam direcionando nosso pensamento. Elas não têm medo de dizer o que pensam ou de serem reprovadas pelo pensamento crítico vigente. São naturalmente sinceras. Experimente dar um par de meias como presente de Natal para uma delas e perguntar se ela gostou. Se, com muita boa vontade a boca falar que sim, o olhinho dela vai entregar um decepcionado não.  Estão longe de serem prudentes como as serpentes, mas, bem próximas de serem simples como as pombas.

Sinto que precisamos aprender mais com as crianças, a começar por mim. Digo sem medo de errar que muito de minha formação teológica veio do tempo de criança. Ali conheci um Deus bom. Que “um coração me deu e um sorriso também”. Que deve ser louvado “com todo o ser e com todo o corpo”. Que me deu a Cristo que “me salvou e me deu perdão e agora vive no meu coração.” Que “criou os bichos, com muito carinho, todos para seu louvor”.  Que me deu a “Bíblia, meu livro companheiro”. O Deus que a pequena Ana Milena Hurtado de 5 anos definiu como “o amor com cabelo grande e poderes”. Hoje sei que a parte do cabelo não está correta, mas que o resto é deliciosamente verdadeiro. Deus faz-me como criança!

Soli Deo Gloria

Deixe um comentário

Arquivado em Reflexão, Uncategorized

A sabedoria é um bem maior que o conhecimento

Começo deixando algo claro: não tenho conhecimento de causa pra falar sobre sabedoria. Tive a dádiva de Deus de ter nascido inteligente e, através de muito estudo, tenho uma boa bagagem de conhecimento. Porém, dadas algumas escolhas que fiz e seus resultados (ou falta deles), vejo que não posso ser chamado de sábio. Por mais que só de admitir isso já é um sinal de sabedoria… Quem sabe uma sabedoria adquirida ao longo do tempo, num longo processo que não ocorre da noite para o dia. É evidente que a maioria das pessoas tem alguns sinais de sabedoria, mas daí a ser realmente sábio é um longo caminho.

É muito importante diferenciar conhecimento de sabedoria. Por mais culto que meu pai seja, creio que já devo ter lido mais que ele. Ele sempre destaca que tenho mais conhecimento que ele. Quer saber? Trocaria todo esse conhecimento pela sabedoria que ele tem. E não nos enganemos achando que sabedoria é algo diretamente proporcional à idade. Há muitos tolos de cabelos brancos… Entretanto, o tempo é nosso maior aliado para adquirir sabedoria. Adquirir sim, pois não é algo nato. O escritor de Provérbios diz isso: “É melhor obter sabedoria do que ouro! É melhor obter entendimento do que prata!” ou “Quem obtém sabedoria ama-se a si mesmo; quem acalenta o entendimento prospera”. A sabedoria leva-nos a tomar decisões melhores e a agir de modo correto em diversas situações. A sabedoria nos ajuda a querer obter conhecimento e, principalmente, a saber usá-lo, algo raro atualmente. Escrevo este texto motivado por duas situações que vi/vivi esta semana.

O primeiro momento que me fez pensar foi um post no twitter de um jovem e proeminente blogueiro cristão. Ao criticar a visão política da esquerda ele usou uma série de desclassificações morais das pessoas. Burro, bêbado, terrorista… Logo ele que reclama tanto dos ad hominem se valeu desse tipo de argumento. Tenho minhas restrições ao pensamento esquerdista, quase tão grande quanto ao pensamento direitista. O marxismo não trará cura à todas as doenças, como no famoso quadro de Frida Kahlo. Porém, é uma posição política que merece pelo menos um respeito intelectual, devido a sua formulação histórica. Quer discordar, use argumentos inteligentes e não chulos. Faltou sabedoria na abordagem do ótimo blogueiro. Dali pra frente, qualquer argumentação perdeu credibilidade. Sobrou arrogância ao se referir ao que não concorda. Muitas vezes esse é um enorme obstáculo que o conhecimento sem a devida sabedoria nos proporciona. Um cara de muito conhecimento que tropeçou feio nele.

O segundo momento que me chamou a atenção aconteceu ao final de uma aula sobre Cosmovisão Cristã com o professor Jonas Madureira. Um senhor pediu a palavra. Sua dúvida/observação nem foi muito pertinente ao tema central, mas foi valiosa. Se o professor nos orientava a ler o nosso mundo o pastor deste senhor não o fez. Visivelmente chateado, o senhor contou sobre uma pregação sobre expiação limitada. Disse que ficou escandalizado com aquilo. Sou calvinista de cinco pontos, porém, o ponto que mais tempo demorei a internalizar foi a expiação limitada. Até hoje ainda tenho certo desconforto com isso. O pastor não pregou nada errado, muito pelo contrário! Agora, será que ele leu bem seu auditório? Será que ele os preparou previamente para que recebessem esta complexa doutrina? Conhecimento não lhe faltou, já sabedoria…

Também não devemos confundir o fato de que sabedoria e conhecimento são coisas distintas com um grave erro que acometeu a igreja nos últimos anos: a anti-intelectualidade. Defendeu-se, de forma absolutamente equivocada, que o estudo da teologia e afins era coisa carnal. Segundo estes “pensadores” o importante era o transcendental, a experiência mística com Deus. O atual cenário do evangelicalismo (e também do catolicismo) mostra que estavam errados. E nem é tão difícil de perceber o erro. A revelação de Deus foi dada através de um livro, e um livro que exige estudo. É claro que todos podem entender a Bíblia, mas é impossível fazê-lo sem estudá-la insistentemente, contando com a iluminação do Espírito Santo. A própria Bíblia dá-nos exemplo de homens estudiosos da Palavra e mesmo de outras disciplinas de conhecimento. Paulo era, além de tudo, um intelectual! Logo, não defendo aqui a negligencia ao estudo. Meu ponto é que conhecimento não leva automaticamente à sabedoria. E vou mais longe: muito conhecimento nas mãos de quem tem pouca sabedoria é algo equivalente a dar uma arma na mão de uma criança. Mais cedo ou mais tarde alguém vai se machucar.

O que fica disso tudo é que mais que ser um catedrático em teologia é necessário ser uma pessoa sábia. Estudar é preciso. Mas, sem a sabedoria que vem de Deus, de nada adiantará todo o seu labor teológico. Qualquer bom ateu saberá tanto quanto você. E não deixará de ser ateu. O próprio Diabo conhece muito da Bíblia… O conhecimento pelo conhecimento nada mais é que um hedonismo intelectual que não nos serve para nada. A sabedoria é preciosa e tem um fornecedor único. Mas não se preocupe, Tiago nos dá uma solução perfeita: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida”. Esse fornecedor quer muito ver-nos sábios. Antes, precisamos ser humildes para admitir que precisamos que Deus nos dê sua sabedoria. E Ele não tardará em nos atender.

Soli Deo Gloria

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

O dualismo e a precariedade da subcultura “Gospel”

Fazia um tempo que não escrevia. Tenho feito alguns cursos e dedicado um tempo maior para estudos até pra ver se falo menos besteiras. Mas, essa semana algumas coisas me chamaram atenção. Primeiro fiquei sabendo de um site de “fofocas gospel”. Sim, isso mesmo que leu. Junto com os shows, as raves, as baladas, os motéis, os sex shops, as lojas de roupas, as rádios e outras coisas gospel, mostram um problema sério que iremos discutir. A isto se soma a nova canção do Thalles, “Filho Meu”, uma das maiores asneiras teológicas já gravadas. A grande questão é: que é e pra que serve esse movimento “Gospel”. E mais do que isso, o porquê considero ele tão prejudicial para a igreja.

A palavra Gospel significa evangelho no idioma inglês. Além disso, define um tipo de música muito conhecida nos Estados Unidos, caracterizada por uma forte influência da música negra americana, principalmente do blues, do jazz, do soul e do R&B. É verdade que é um estilo de música usado na igreja, mas, que tem características bem peculiares. Além disso, nem nos países de língua inglesa usa-se esse termo para designar a música cristã como um todo, se limitando ao estilo mencionado. O termo Gospel começou a ser usado no Brasil como estratégia de marketing da Igreja Renascer em Cristo, a partir de uma ideia de seu fundador, Estevam Hernandes, e de seu sócio, o publicitário e bispo Antonio Abbud. Vê-se pela origem da história que não tendia a ter um final feliz.

É evidente que o foco do nome Gospel era o mercado. Mercado que em si nem é o maior problema. Como o aumento do número de evangélicos no país, somado ao aumento do poder aquisitivo do brasileiro nos últimos anos, é evidente que surgiria naturalmente uma demanda por determinados produtos. Os problemas na verdade foram a criação forçada de um mercado num primeiro momento e, principalmente, a promoção de uma mentalidade dualista nessa massa. “Isso é de crente, pode. Esse é do mundo não pode.” Vale lembrar a oração sacerdotal de Jesus, em João 17, onde Ele pede ao Pai que não nos tire do mundo, mas livre-nos do mal. Isso sem falar do propósito da Criação de Deus e do mandato cultural que em nada se parecem com essa visão quase maniqueísta de lado bom e lado ruim. É a criação de um submundo santo, ou não tão santo… Entendo termos alguns segmentos voltados a cristãos. Editoras, por exemplo. Toda editora tem sua linha editorial de publicação. Há editoras que só publicam livros técnicos, por exemplo, ou mesmo de áreas de conhecimento específicas. Temos a necessidade de materiais didáticos, materiais para o culto (bancos, púlpitos e outros utensílios que algumas igrejas ainda preferem utilizar). Mas, dê- me um bom motivo para uma loja de roupa para cristãos.

 Esse dualismo se acentua na área da cultura, mais especificamente nas artes. “Crente só pode ouvir coisa de crente e frequentar lugar de crente.” Na era medieval a igreja criou sua cultura e forma de fazer arte. Tanto na música, com o canto Gregoriano, quanto na arquitetura e nas artes plásticas havia traços que caracterizavam uma arte sacra. Havia um estilo próprio, característico. Hoje, na maioria das vezes, temos uma cópia mal feita do secular. É absurdamente antagônico. Como fugir da cultura secular? Secularizando a igreja. Se não pode vencê-los… Não há coragem para frequentar uma balada “profana”? Faz-se uma balada cristã! Afinal, não podemos perder os nossos jovens… Jovens estes que tem acesso a toda essa cultura secular que tem muito mais qualidade. Basta quererem que podem consumir o original. Sim, pois não é só copiar. É copiar muito mal. Na música isso é evidente, basta um passeio na Rua Conde de Sarzedas em São Paulo. Além de paródias patéticas há uma série de cópias toscas de fenômenos de vendagem. Funk (!), sertanejo universitário, músicas românticas… É um lixo. Sem falar no conteúdo teológico dessas músicas. Dois exemplos clássicos são a famosa “Sabor de Mel”, uma ode à vingança do crente (!) e essa nova música do Thalles, uma atrocidade teológica, onde deus (sim, com letra minúscula) suplica pela conversão do filho, quase como um marido abandonado de uma moda de viola…

Interessante é que esse pessoal não tem problemas em usar o nome Protestante. Uma das principais bandeiras da Reforma Protestante foi acabar com esse dualismo “santo/sagrado”. Houve um incentivo enorme à liberdade para se fazer arte e ciência, por exemplo. Fomentou-se uma volta ao “mundo” mudando o foco de consagração (algo externo) para santificação (alto de dentro pra fora). É pra esse mundo que fomos chamados pra ser sal e luz. Vivendo nele, retendo o que é bom e lutando para reformar o que estiver em desacordo com o que cremos. Não fomos chamados a criar uma subcultura e sim para, sendo contraculturais, testemunharmos de Cristo para todas as culturas. Não estou falando de absorver a cultura secular e sim de reformá-la, mantendo o que é bom. Sim, nem tudo que os chamados ímpios fazem é lixo, muito pelo contrário.

Evidentemente há gente fazendo diferente por aí, principalmente nas artes. Na música, onde tenho maior conhecimento, vemos uma série de artistas de alta qualidade com trabalhos independentes e até em gravadoras ditas seculares salgando e iluminando o mundo. Há muito que não se contentam com o gueto e com o mercado gospel e buscam mostrar Jesus em contextos necessitados em conhecê-lo. Ainda é a minoria, mas, temos um começo. Que fique claro que não advogo pelo fim do movimento Gospel. Este tem um alcance importante pro Reino de Deus. O que acho que seja necessário é uma reforma de seus conceitos e de sua cosmovisão (visão de mundo). A começar, quem sabe, pelo abandono desse nome. E, mais importante ainda, pelo fim desse dualismo sem sentido. A Mensagem de Deus não é propriedade de nenhum grupo e deve ser levada a todos. O diálogo com outras culturas é importante. O medo de se “contaminar” com elas vem mais de um despreparo teológico/espiritual para enfrentar a realidade do que de um perigo efetivo. Sem isso, o Gospel continuará sendo um subcultura tosca que só será relevante dentro de um gueto de baixíssimo senso crítico. Afinal, nem precisa ter qualidade, é pra deus mesmo. E sim, novamente escolho escrever em minúscula. Meu Deus não merece essa tosquice cultural.

Soli Deo Gloria

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Afinal, o que é ser relevante?

 

Achava que essa resposta seria fácil de achar. Procurei em alguns dicionários e o que achei foram aquelas definições padrão que não dizem absolutamente nada. Importante, preeminente, que sobressai… Honestamente, não creio que nenhuma dessas definições responda a pergunta e nem conseguem dar todo o sentido que a palavra tem nos dias de hoje. Inclusive, é incrível como esse termo tem sido usado hoje em dia. “Seja uma pessoa relevante”. “Gaste seu tempo com algo mais relevante”. “Sejamos uma Igreja relevante para esse bairro.” Legal, mas o que é ser relevante? No âmbito eclesiástico sempre se olha para os chamados heróis da fé para definir essa relevância. “Seja como Moisés, Davi, Paulo, Abraão…” Não que os heróis da fé não tenham sido extremamente relevantes, muito pelo contrário, mas, mostrarei que alguns quase anônimos tiveram papel fundamental para o cumprimento dos planos de Deus para a Salvação. Aqui há muito do meu conceito de relevância. Não tomem isso como uma definição acadêmica ou exaustiva.

Pense em você como um servo fiel de um homem extremamente rico e poderoso. Segundo o costume da época, caso ele não tivesse filhos, você herdaria tudo o que o seu senhor tinha tornando-se seu “primogênito adotivo”. Era o caso de Eliezer de Damasco, servo de Abraão. Seu senhor já estava com 85 anos e sem filhos quando nasceu Ismael, que nem era o filho da promessa de Deus. Ali ficava claro que Eliezer fora preterido como herdeiro da promessa. Anos depois Abraão teria Isaque, este sim seu descendente legítimo. Eliezer poderia deixar de ser fiel ao seu senhor, ou, pelo menos, ser menos esforçado em seu serviço. Não é fácil ser preterido. Quando Isaque chegou à idade de casar, Abraão mandou Eliezer ir buscar uma esposa para seu filho dentre sua parentela. Ninguém conhecia Eliezer lá. Que moça iria aceitar sair de casa com um desconhecido para se casar com outro desconhecido, numa terra distante? Eliezer jurou a Abraão buscar a esposa de Isaque entre sua parentela e não quebrou a promessa. Orou ao Senhor que lhe mostrou Rebeca e o resto da história não nos vem ao caso aqui. A alegria de Eliezer era enorme, conseguira manter-se fiel ao juramente feito ao seu senhor. Eliezer de Damasco foi alguém relevante na história da redenção.

O povo de Israel estava escravo no Egito, mas, se multiplicava de forma impressionante. O Faraó temia que aquele povo crescesse mais e decidisse se rebelar e entrar em conflito com os egípcios. Ordenou então que as parteiras dos hebreus, Sifrá e Puá, matassem todos os recém-nascidos do sexo masculino. Tementes ao Senhor elas não o fizeram, arriscando a própria vida para obedecer a Deus. O povo continuou crescendo e, pouco depois, nasceria Moisés, o líder que Deus escolheu para tirar o povo do Egito. As parteiras “rebeldes” foram relevantes.

Imagine-se liderando milhões de pessoas no deserto e sendo o único ponto de referência. Tanto questões extremamente delicadas, como homicídios, como futilidades, como briguinhas entre vizinhos de tenda chegariam para você, único líder e juiz resolver. Além disso, você teria que direcionar todo esse povo resmungão pelo deserto até a Terra Prometida. Não tem como dar conta disso, concorda? Esse era o dia-a-dia de Moisés. Jetro, seu sogro, viu isso e não conseguiu acreditar. “Você vai ficar esgotado assim!”, disse ao genro. E, sabiamente, deu-lhe um conselho. Orientou Moisés a escolher líderes entre o povo, lideres de mil, de cem, de cinquenta e de dez. Eles auxiliariam Moisés julgando questões menos complexas e cotidianas, liberando tempo para Moisés se dedicar ao ensino dos decretos do Senhor, a questões mais complexas e à liderança do povo. Esse conselho de Jetro manteve as coisas em ordem durante a peregrinação no deserto, criando, inclusive, um modelo de gestão usado até hoje. Jetro foi alguém relevante para o Reino de Deus.

Uma atitude relevante é fazer o bem para o próximo. Aqui vão dois exemplos dentro do ministério terreno de Jesus. Havia um paralítico que queria ser curado por Jesus. O problema era: como chegar a Ele? Havia sempre uma multidão cercando o Mestre, todos querendo algo pra si e danem-se os outros. Mas, o paralítico de Cafarnaum tinha algo a mais. Quatro amigos de verdade e, cá entre nós, meio loucos. Jesus pregava numa casa, provavelmente a casa de Pedro. Os caras viram que seria impossível chegar ao Mestre pelo caminho normal. “Simples, vamos subir no telhado, destelhar um pedaço e descer a cama com nosso amigo por lá.” Cara, que atitude de amigo! Lindo isso! O paralítico foi curado para honra do nome de Deus. E, certamente, seus amigos foram grandemente relevantes em sua vida além de se tornarem um exemplo de fidelidade para nós.

E o que dizer de um menino que divide sua marmitinha com uma multidão gigantesca? Havia milhares de pessoas ouvindo Jesus. Chega o fim do dia e nada para aquele povo comer. Jesus ordena que os discípulos vão procurar algo para alimentar multidão. Encontram apenas isso com um garoto: 5 pães e 2 peixes. Honestamente, duvido que mais ninguém tivesse algo. Mas, queriam garantir o seu. “Vou dividir pra que? Não dá pra todo mundo mesmo…” Creio que alguns devem ter escondido sua marmita. Parece que o garoto não pensou assim. Mesmo podendo ficar sem nada, dividiu. Dois mil anos depois ainda se conta essa história, mesmo sem saber o nome do menino. Que, com o seu pouquinho, fez algo completamente relevante.

Por fim, olha esse último exemplo. Você é cristão. Tem um cara cuja fama é de matar cristãos. Onde você quer que ele fique? O mais longe de você! Ananias não era diferente. Uma noite o Senhor o chamou numa visão. Mandou-o ir á casa de um tal Judas para orar por um novo convertido. Nenhum problema não fosse esse novo convertido Saulo de Tarso, o perseguidor dos Cristãos. “Senhor, tenho ouvido muita coisa a respeito desse cara. Inclusive, ele veio com ordens de nos prender.” Deus insistiu e Ananias creu e foi ao encontro de Saulo, que se tornaria Paulo num futuro próximo. E, mesmo correndo o risco de uma “recaída” do antigo inimigo dos crentes, orou para que Deus curasse a vista dele, o que prontamente aconteceu. Corajoso esse Ananias… E muito relevante para o fundamental ministério com os gentios que Paulo haveria de começar.

Vê como não há regras? Ser relevante é fazer o que se deve do melhor modo a seu alcance. Influenciar alguém, ajudar outro, orar por quem necessita, dar de comer ao pobre… Relevância não se mede com números e resultados pragmáticos na escala de crescimento de igrejas. Cuidado com a ditadura moderna da relevância que cria modelos e padrões engessados de como fazer. Não há receitinha de bolo pronta nem formato santo. O que existem são oportunidades que Deus coloca em nossas vidas para que façamos algo conforme nos foi ensinado por Ele mesmo. Podem ser obras gigantescas ou um copo de água ao sedento. O importante é fazer algo que possa impactar positivamente alguém. Afinal, é para isso que Ele nos chamou, para fazermos a diferença por aqui.

Soli Deo Gloria

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized