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Ser como criança

jesus e crianças

Agua: Transparência que se pode tomar

Branco: O branco é uma cor que não pinta

Céu: De onde sai o dia

Escuridão: É como o frescor da noite

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus

Paz: Quando

a pessoa se perdoa

Tempo: Coisa que passa para lembrar

Universo: Casa das estrelas

Violência: Parte ruim da paz

As definições acima parecem de algum grande poeta ou mesmo de um filósofo. Algumas guardam uma profundidade enorme na simplicidade em que foram formuladas. Outras, de tão simples, assustam. Quem seria o gênio por trás disso? Ao contrário da maioria das pensatas da internet, sempre atribuídas a mestres das letras, estas definições foram cunhadas por crianças colombianas participantes de um interessante projeto. O livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças” é uma compilação feita pelo professor de educação infantil Javier Naranjo e contém estas definições que têm sido amplamente espalhadas pela web. Vejo adultos, com razão, encantados com a sabedoria destes pequeninos. Mas, o que isso tem a ver com o Reino de Deus? Tudo.

Num dado momento de seu ministério, trouxeram algumas crianças para que Jesus orasse por elas. Os discípulos, verdadeiros adultos, se irritaram e tentaram afastá-las.  “Então disse Jesus: ‘Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas’” [1] Imagino o que poderia ter passado na cabeça daqueles homens. “O que o Mestre quis dizer dessa vez?” Numa cultura que valorizava tento o saber dos anciãos e que nem contava crianças entre seus cidadãos (assim como mulheres), uma frase dessas tinha um potencial altamente intrigante. O que Ele quis dizer?

Vou dizer o que penso disso, sem nenhuma pretensão de ser o dono da melhor interpretação. Certamente Jesus não estava falando sobre pecado. Sim, pois além do pecado adâmico, herdado por todos, é de uma inocência muito grande olhar uma criança como um ser sem pecados. Crianças podem ser cruéis com as outras, basta vermos o que o bullying faz na vidinha de algumas delas. Sabem muito bem serem egoístas, mentirosas, desobedientes… Jesus não falava de uma pureza moral impossível a um humano. Creio que Ele se referia à outra pureza. A uma pureza de pensamento, de conceitos. A uma pureza bem característica do coração ensinável. Creio que Cristo se referia a um modo todo especial de ver o mundo que os pequeninos possuem; um modo lúdico, poético. Crianças não estão contaminadas com conceitos enlatados, com filosofias, teologias e ideologias que acabam direcionando nosso pensamento. Elas não têm medo de dizer o que pensam ou de serem reprovadas pelo pensamento crítico vigente. São naturalmente sinceras. Experimente dar um par de meias como presente de Natal para uma delas e perguntar se ela gostou. Se, com muita boa vontade a boca falar que sim, o olhinho dela vai entregar um decepcionado não.  Estão longe de serem prudentes como as serpentes, mas, bem próximas de serem simples como as pombas.

Sinto que precisamos aprender mais com as crianças, a começar por mim. Digo sem medo de errar que muito de minha formação teológica veio do tempo de criança. Ali conheci um Deus bom. Que “um coração me deu e um sorriso também”. Que deve ser louvado “com todo o ser e com todo o corpo”. Que me deu a Cristo que “me salvou e me deu perdão e agora vive no meu coração.” Que “criou os bichos, com muito carinho, todos para seu louvor”.  Que me deu a “Bíblia, meu livro companheiro”. O Deus que a pequena Ana Milena Hurtado de 5 anos definiu como “o amor com cabelo grande e poderes”. Hoje sei que a parte do cabelo não está correta, mas que o resto é deliciosamente verdadeiro. Deus faz-me como criança!

Soli Deo Gloria

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