O dualismo e a precariedade da subcultura “Gospel”

Fazia um tempo que não escrevia. Tenho feito alguns cursos e dedicado um tempo maior para estudos até pra ver se falo menos besteiras. Mas, essa semana algumas coisas me chamaram atenção. Primeiro fiquei sabendo de um site de “fofocas gospel”. Sim, isso mesmo que leu. Junto com os shows, as raves, as baladas, os motéis, os sex shops, as lojas de roupas, as rádios e outras coisas gospel, mostram um problema sério que iremos discutir. A isto se soma a nova canção do Thalles, “Filho Meu”, uma das maiores asneiras teológicas já gravadas. A grande questão é: que é e pra que serve esse movimento “Gospel”. E mais do que isso, o porquê considero ele tão prejudicial para a igreja.

A palavra Gospel significa evangelho no idioma inglês. Além disso, define um tipo de música muito conhecida nos Estados Unidos, caracterizada por uma forte influência da música negra americana, principalmente do blues, do jazz, do soul e do R&B. É verdade que é um estilo de música usado na igreja, mas, que tem características bem peculiares. Além disso, nem nos países de língua inglesa usa-se esse termo para designar a música cristã como um todo, se limitando ao estilo mencionado. O termo Gospel começou a ser usado no Brasil como estratégia de marketing da Igreja Renascer em Cristo, a partir de uma ideia de seu fundador, Estevam Hernandes, e de seu sócio, o publicitário e bispo Antonio Abbud. Vê-se pela origem da história que não tendia a ter um final feliz.

É evidente que o foco do nome Gospel era o mercado. Mercado que em si nem é o maior problema. Como o aumento do número de evangélicos no país, somado ao aumento do poder aquisitivo do brasileiro nos últimos anos, é evidente que surgiria naturalmente uma demanda por determinados produtos. Os problemas na verdade foram a criação forçada de um mercado num primeiro momento e, principalmente, a promoção de uma mentalidade dualista nessa massa. “Isso é de crente, pode. Esse é do mundo não pode.” Vale lembrar a oração sacerdotal de Jesus, em João 17, onde Ele pede ao Pai que não nos tire do mundo, mas livre-nos do mal. Isso sem falar do propósito da Criação de Deus e do mandato cultural que em nada se parecem com essa visão quase maniqueísta de lado bom e lado ruim. É a criação de um submundo santo, ou não tão santo… Entendo termos alguns segmentos voltados a cristãos. Editoras, por exemplo. Toda editora tem sua linha editorial de publicação. Há editoras que só publicam livros técnicos, por exemplo, ou mesmo de áreas de conhecimento específicas. Temos a necessidade de materiais didáticos, materiais para o culto (bancos, púlpitos e outros utensílios que algumas igrejas ainda preferem utilizar). Mas, dê- me um bom motivo para uma loja de roupa para cristãos.

 Esse dualismo se acentua na área da cultura, mais especificamente nas artes. “Crente só pode ouvir coisa de crente e frequentar lugar de crente.” Na era medieval a igreja criou sua cultura e forma de fazer arte. Tanto na música, com o canto Gregoriano, quanto na arquitetura e nas artes plásticas havia traços que caracterizavam uma arte sacra. Havia um estilo próprio, característico. Hoje, na maioria das vezes, temos uma cópia mal feita do secular. É absurdamente antagônico. Como fugir da cultura secular? Secularizando a igreja. Se não pode vencê-los… Não há coragem para frequentar uma balada “profana”? Faz-se uma balada cristã! Afinal, não podemos perder os nossos jovens… Jovens estes que tem acesso a toda essa cultura secular que tem muito mais qualidade. Basta quererem que podem consumir o original. Sim, pois não é só copiar. É copiar muito mal. Na música isso é evidente, basta um passeio na Rua Conde de Sarzedas em São Paulo. Além de paródias patéticas há uma série de cópias toscas de fenômenos de vendagem. Funk (!), sertanejo universitário, músicas românticas… É um lixo. Sem falar no conteúdo teológico dessas músicas. Dois exemplos clássicos são a famosa “Sabor de Mel”, uma ode à vingança do crente (!) e essa nova música do Thalles, uma atrocidade teológica, onde deus (sim, com letra minúscula) suplica pela conversão do filho, quase como um marido abandonado de uma moda de viola…

Interessante é que esse pessoal não tem problemas em usar o nome Protestante. Uma das principais bandeiras da Reforma Protestante foi acabar com esse dualismo “santo/sagrado”. Houve um incentivo enorme à liberdade para se fazer arte e ciência, por exemplo. Fomentou-se uma volta ao “mundo” mudando o foco de consagração (algo externo) para santificação (alto de dentro pra fora). É pra esse mundo que fomos chamados pra ser sal e luz. Vivendo nele, retendo o que é bom e lutando para reformar o que estiver em desacordo com o que cremos. Não fomos chamados a criar uma subcultura e sim para, sendo contraculturais, testemunharmos de Cristo para todas as culturas. Não estou falando de absorver a cultura secular e sim de reformá-la, mantendo o que é bom. Sim, nem tudo que os chamados ímpios fazem é lixo, muito pelo contrário.

Evidentemente há gente fazendo diferente por aí, principalmente nas artes. Na música, onde tenho maior conhecimento, vemos uma série de artistas de alta qualidade com trabalhos independentes e até em gravadoras ditas seculares salgando e iluminando o mundo. Há muito que não se contentam com o gueto e com o mercado gospel e buscam mostrar Jesus em contextos necessitados em conhecê-lo. Ainda é a minoria, mas, temos um começo. Que fique claro que não advogo pelo fim do movimento Gospel. Este tem um alcance importante pro Reino de Deus. O que acho que seja necessário é uma reforma de seus conceitos e de sua cosmovisão (visão de mundo). A começar, quem sabe, pelo abandono desse nome. E, mais importante ainda, pelo fim desse dualismo sem sentido. A Mensagem de Deus não é propriedade de nenhum grupo e deve ser levada a todos. O diálogo com outras culturas é importante. O medo de se “contaminar” com elas vem mais de um despreparo teológico/espiritual para enfrentar a realidade do que de um perigo efetivo. Sem isso, o Gospel continuará sendo um subcultura tosca que só será relevante dentro de um gueto de baixíssimo senso crítico. Afinal, nem precisa ter qualidade, é pra deus mesmo. E sim, novamente escolho escrever em minúscula. Meu Deus não merece essa tosquice cultural.

Soli Deo Gloria

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Afinal, o que é ser relevante?

 

Achava que essa resposta seria fácil de achar. Procurei em alguns dicionários e o que achei foram aquelas definições padrão que não dizem absolutamente nada. Importante, preeminente, que sobressai… Honestamente, não creio que nenhuma dessas definições responda a pergunta e nem conseguem dar todo o sentido que a palavra tem nos dias de hoje. Inclusive, é incrível como esse termo tem sido usado hoje em dia. “Seja uma pessoa relevante”. “Gaste seu tempo com algo mais relevante”. “Sejamos uma Igreja relevante para esse bairro.” Legal, mas o que é ser relevante? No âmbito eclesiástico sempre se olha para os chamados heróis da fé para definir essa relevância. “Seja como Moisés, Davi, Paulo, Abraão…” Não que os heróis da fé não tenham sido extremamente relevantes, muito pelo contrário, mas, mostrarei que alguns quase anônimos tiveram papel fundamental para o cumprimento dos planos de Deus para a Salvação. Aqui há muito do meu conceito de relevância. Não tomem isso como uma definição acadêmica ou exaustiva.

Pense em você como um servo fiel de um homem extremamente rico e poderoso. Segundo o costume da época, caso ele não tivesse filhos, você herdaria tudo o que o seu senhor tinha tornando-se seu “primogênito adotivo”. Era o caso de Eliezer de Damasco, servo de Abraão. Seu senhor já estava com 85 anos e sem filhos quando nasceu Ismael, que nem era o filho da promessa de Deus. Ali ficava claro que Eliezer fora preterido como herdeiro da promessa. Anos depois Abraão teria Isaque, este sim seu descendente legítimo. Eliezer poderia deixar de ser fiel ao seu senhor, ou, pelo menos, ser menos esforçado em seu serviço. Não é fácil ser preterido. Quando Isaque chegou à idade de casar, Abraão mandou Eliezer ir buscar uma esposa para seu filho dentre sua parentela. Ninguém conhecia Eliezer lá. Que moça iria aceitar sair de casa com um desconhecido para se casar com outro desconhecido, numa terra distante? Eliezer jurou a Abraão buscar a esposa de Isaque entre sua parentela e não quebrou a promessa. Orou ao Senhor que lhe mostrou Rebeca e o resto da história não nos vem ao caso aqui. A alegria de Eliezer era enorme, conseguira manter-se fiel ao juramente feito ao seu senhor. Eliezer de Damasco foi alguém relevante na história da redenção.

O povo de Israel estava escravo no Egito, mas, se multiplicava de forma impressionante. O Faraó temia que aquele povo crescesse mais e decidisse se rebelar e entrar em conflito com os egípcios. Ordenou então que as parteiras dos hebreus, Sifrá e Puá, matassem todos os recém-nascidos do sexo masculino. Tementes ao Senhor elas não o fizeram, arriscando a própria vida para obedecer a Deus. O povo continuou crescendo e, pouco depois, nasceria Moisés, o líder que Deus escolheu para tirar o povo do Egito. As parteiras “rebeldes” foram relevantes.

Imagine-se liderando milhões de pessoas no deserto e sendo o único ponto de referência. Tanto questões extremamente delicadas, como homicídios, como futilidades, como briguinhas entre vizinhos de tenda chegariam para você, único líder e juiz resolver. Além disso, você teria que direcionar todo esse povo resmungão pelo deserto até a Terra Prometida. Não tem como dar conta disso, concorda? Esse era o dia-a-dia de Moisés. Jetro, seu sogro, viu isso e não conseguiu acreditar. “Você vai ficar esgotado assim!”, disse ao genro. E, sabiamente, deu-lhe um conselho. Orientou Moisés a escolher líderes entre o povo, lideres de mil, de cem, de cinquenta e de dez. Eles auxiliariam Moisés julgando questões menos complexas e cotidianas, liberando tempo para Moisés se dedicar ao ensino dos decretos do Senhor, a questões mais complexas e à liderança do povo. Esse conselho de Jetro manteve as coisas em ordem durante a peregrinação no deserto, criando, inclusive, um modelo de gestão usado até hoje. Jetro foi alguém relevante para o Reino de Deus.

Uma atitude relevante é fazer o bem para o próximo. Aqui vão dois exemplos dentro do ministério terreno de Jesus. Havia um paralítico que queria ser curado por Jesus. O problema era: como chegar a Ele? Havia sempre uma multidão cercando o Mestre, todos querendo algo pra si e danem-se os outros. Mas, o paralítico de Cafarnaum tinha algo a mais. Quatro amigos de verdade e, cá entre nós, meio loucos. Jesus pregava numa casa, provavelmente a casa de Pedro. Os caras viram que seria impossível chegar ao Mestre pelo caminho normal. “Simples, vamos subir no telhado, destelhar um pedaço e descer a cama com nosso amigo por lá.” Cara, que atitude de amigo! Lindo isso! O paralítico foi curado para honra do nome de Deus. E, certamente, seus amigos foram grandemente relevantes em sua vida além de se tornarem um exemplo de fidelidade para nós.

E o que dizer de um menino que divide sua marmitinha com uma multidão gigantesca? Havia milhares de pessoas ouvindo Jesus. Chega o fim do dia e nada para aquele povo comer. Jesus ordena que os discípulos vão procurar algo para alimentar multidão. Encontram apenas isso com um garoto: 5 pães e 2 peixes. Honestamente, duvido que mais ninguém tivesse algo. Mas, queriam garantir o seu. “Vou dividir pra que? Não dá pra todo mundo mesmo…” Creio que alguns devem ter escondido sua marmita. Parece que o garoto não pensou assim. Mesmo podendo ficar sem nada, dividiu. Dois mil anos depois ainda se conta essa história, mesmo sem saber o nome do menino. Que, com o seu pouquinho, fez algo completamente relevante.

Por fim, olha esse último exemplo. Você é cristão. Tem um cara cuja fama é de matar cristãos. Onde você quer que ele fique? O mais longe de você! Ananias não era diferente. Uma noite o Senhor o chamou numa visão. Mandou-o ir á casa de um tal Judas para orar por um novo convertido. Nenhum problema não fosse esse novo convertido Saulo de Tarso, o perseguidor dos Cristãos. “Senhor, tenho ouvido muita coisa a respeito desse cara. Inclusive, ele veio com ordens de nos prender.” Deus insistiu e Ananias creu e foi ao encontro de Saulo, que se tornaria Paulo num futuro próximo. E, mesmo correndo o risco de uma “recaída” do antigo inimigo dos crentes, orou para que Deus curasse a vista dele, o que prontamente aconteceu. Corajoso esse Ananias… E muito relevante para o fundamental ministério com os gentios que Paulo haveria de começar.

Vê como não há regras? Ser relevante é fazer o que se deve do melhor modo a seu alcance. Influenciar alguém, ajudar outro, orar por quem necessita, dar de comer ao pobre… Relevância não se mede com números e resultados pragmáticos na escala de crescimento de igrejas. Cuidado com a ditadura moderna da relevância que cria modelos e padrões engessados de como fazer. Não há receitinha de bolo pronta nem formato santo. O que existem são oportunidades que Deus coloca em nossas vidas para que façamos algo conforme nos foi ensinado por Ele mesmo. Podem ser obras gigantescas ou um copo de água ao sedento. O importante é fazer algo que possa impactar positivamente alguém. Afinal, é para isso que Ele nos chamou, para fazermos a diferença por aqui.

Soli Deo Gloria

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Quem é imagem de quem mesmo?

“E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” O tão conhecido texto de Gênesis 1:27 parece ter sofrido uma inversão na história da humanidade. Por mais que nos últimos tempos podemos ter a impressão que esta é uma tendência moderna, o problema é antigo e mostra claramente essa nossa essência rebelada. A criatura sempre quis trocar de lugar com o Criador e recriá-lo à sua imagem e semelhança. Deus, como é, não nos serve. Precisamos de um deus mais parecido conosco, que nos entenda. Um Deus menos distante…

A prerrogativa de criar um ser à Sua imagem e semelhança sempre foi de Deus em relação ao homem, e não o contrário. Deus, misericordiosamente, repartiu alguns de Seus atributos com sua criatura mais importante. Não os repartiu em sua plenitude, mas, mesmo em menor escala, temos “características” análogas a Deus. Temos como ser sábio, por exemplo. Salomão é a prova mais clara disso na Bíblia. (“Assim o rei Salomão excedeu a todos os reis da terra, tanto em riquezas como em sabedoria”. I Rs 10:23) E nem precisamos ir tão longe. Certamente todos conhecemos alguém sábio, que não é o mesmo que inteligente, em nossa caminhada. Gente que sabe as melhores atitudes a tomar, o mais adequado caminho a seguir. Deus nos comunicou outros atributos como bondade, amor, misericórdia, zelo e outros mais. Sempre em escala menor que a Sua, mas, temos esses atributos. Inclusive é por isso que podemos nos relacionar com Ele da forma como fazemos. E por isso que, como a trindade é uma comunidade, Ele nos criou para sermos seres relacionais.

O homem não quis ficar para trás. Os deuses da mitologia grega são exemplos ideais. Longe de serem perfeitos, eles tinham muitas das falhas morais de um ser humano. Entre eles havia traição, mentira, uma vida sexual devassa (incluindo até incesto), homicídios, avareza; em suma, tudo o que havia de pior no ser humano foi “comunicado” para estes deuses. E cá entre nós, é bem mais fácil agradar e “ficar em paz” com um deus desses. Que moral ele tem pra julgar minha conduta? Olha a dele! São deuses dependentes do homem. Sem os sacrifícios eles não se alimentam. São deuses subornáveis. Precisam de algo; aplaque a ira do deus que ele te dará o que quer ou não te castigará. São deuses manipuláveis, corruptíveis, desonestos, cruéis. São deuses à imagem e semelhança do homem. Criaturas que refletem o caráter de seu criador. O profeta Jeremias disse: “Pode o homem mortal fazer os seus próprios deuses? Sim, mas estes não seriam deuses”! Não há deus como o nosso Deus!

Isso parece algo primitivo, distante. Mas, é isso que vemos em muitas teologias modernas. E com um agravante. Ao deus que se cria dá-se o nome de Jeová, do nosso Deus. As influências do mundo externo trás para dentro da igreja conceitos que distorcem a real imagem de Deus. O pós-modernismo entra relativizando tudo. O poder de Deus, o pecado, a salvação, a realidade do inferno. Soma-se a isso uma “paganização” de Deus, criando um deus que negocia suas dádivas. Cria-se um deus que se diminui para parecer com sua criatura. Cria-se um deus mentiroso que outrora via o pecado de uma forma e hoje o vê de forma bem mais complacente. Cria-se um deus “manco”, que deixou de ser justo para ser somente um poço de amor infinito. Ou que prefere julgar com mão de ferro a amar o pecador. Cria-se um deus pagão, que aceita oferendas de seus adoradores para fazer algo em troca. Cria-se um deus vingativo, que tem prazer no sofrimento do que não o adora. Cria-se um deus “surpreendível”, que não sabe o dia de amanhã e vive de elaborar planos de contenção. Cria-se uma série de deuses, chamados erroneamente de Deus, sem dar atenção ao que as Escrituras dizem sobre Ele.

Precisa-se criar um deus que tire a culpa do homem pelos seus erros. O caso é Deus já fez isso! Ele sabia que o homem haveria de cair e enviou seu Filho para salvar o homem de seu pecado e livrá-lo de sua culpa.  Jesus não veio para perdoar pecados passados ou específicos, mas, para perdoar TODOS os pecados daqueles que o Pai lhe deu. Deus continua odiando o pecado e sendo um Deus justo e irado. Mas, sua justiça e sua ira contra seus filhos foram satisfeitas na cruz. Deus tem prazer em dar coisas boas aos seus filhos, como lemos em Mateus 7:11, mas, quando, como e o que fazer são decisões soberanas Dele. Ele é dono de todo ouro e de toda a prata, não mercadeja suas bênçãos. Deus não precisa se despir de sua onipotência nem de sua onisciência para se relacionar com o homem. Deus não desistiu do inferno para lançar lá os que Ele julgar que devem ter esse fim. Julgamento que é prerrogativa dele, que irá mandar ou deixar de mandar quantos e quem Ele achar que deve. E Ele nos deixa claro que nossa função não é ajudá-lo com uma pré-seleção de “infernáveis”, mas amar a todos e pregar seu Evangelho a toda criatura. A salvação pertence ao Senhor conforme Sua vontade.

Não é Deus que precisa mudar, somos nós. Não é Deus que precisa se parecer mais comigo, eu que preciso, através do exemplo de Cristo, ser mais parecido com Ele, dia após dia. “Sede santos por que Eu sou santo”. O máximo que podemos fazer para tornar Deus mais parecido conosco e criar uma imagem falsa Dele que em nada alterará o que Ele realmente é. Deus não perde um micrômetro de sua Glória quando O entendemos de forma equivocada. Por outro lado, Deus faz algo fantástico para nos conformar a Ele, através da obra do Espírito Santo. Obra longa e que só será concluída na Eternidade. Muito mais útil do que criar um deus parecido conosco é deixar que Deus nos transforme em pessoas parecidas com Ele.

Soli deo Gloria

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Cânticos congregacionais ou gritos de torcida?

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Antes de tudo: Não quero ofender ninguém aqui. Gosto é gosto e não sou o dono da verdade. Porém, depois de passar mais da metade de minha vida envolvido no ministério de louvor, tenho algumas convicções e um pouquinho de conhecimento do que falo. Portanto, leia por sua conta e risco. Admito que o texto é polêmico. E nada de não julgueis. Aqui não me interessam pessoas e sim fatos. Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” (João 7:24).

Ontem aconteceu um jogo importante do meu time, o São Paulo Futebol Clube. O time vinha muito mal e enfrentaria o melhor time da Libertadores até o momento, o Atlético Mineiro, precisando vencer a qualquer custo e ainda torcer por outro resultado. Some-se a isso a ausência de dois dos principais jogadores e temos um cenário que muitos descreviam como um famoso filme: À espera de um milagre. Gosto de futebol e das brincadeiras sadias que o envolvem. Portanto, fiz algumas piadas no facebook usando letras de músicas gospel “pedindo” o milagre e depois, “comemorando” o milagre. Evidentemente era uma brincadeira sem nenhum sentido mais profundo, porém, pensando com calma depois, vi que realmente a brincadeira tinha um fundo de verdade.

Vejamos algumas frases de músicas que estão nas “paradas de sucesso” gospel. Não citarei os cantores das mesmas, pois não vejo sentido para isso.

“Hoje é o dia da minha Vitória / Hoje eu verei meu milagre acontecer”

“E a capa leva o tema: a história de um vencedor / Toda luta foi embora
E ao abrir me surpreendi / Meu diário só tem página de vitória.”

“Deus vai bradar, anunciar em alta voz pra o universo ouvir, eis que um novo vencedor está chegando ai,”

“Pois vim ante o altar / Minha benção receber / E esta semana um decreto de vitória / Eu terei!!!”

Percebe que o foco saiu de onde deveria estar? Não são músicas cristocêntricas. São completamente antropocêntricas. MINHA vitória. EU vencerei. MINHA benção. Além disso, são músicas completamente triunfalistas. Se o contexto fosse a vitória sobre o pecado, sobre o Mundo, aquela vitória obtida por Jesus na cruz que nos deu vida eterna, OK. Mas não. O contexto é sempre ligado aos problemas da vida, às lutas do dia a dia. “Se diante de mim não se abrir o mar, Deus vai me fazer andar por sobre as águas” Como assim? Nadar ninguém quer, né? Sério, logo teremos músicas do tipo “Se a benção não chegar, olé, olé, olá. O pau vai quebrar.” Tem se perdido a noção de quem somos e quem Deus é. De novo; DEUS. O Criador do Universo. O Todo-Poderoso. Aquele que Era, É e sempre Será.

Louvor é o ato de elogiar, enaltecer, bendizer, exaltar, glorificar alguém. Se louvo a Deus, a Jesus, ao Espírito Santo, devo focar em quem? Difícil resposta… Isso me lembra de um episódio do Chaves. O Professor Girafales fala para Dona Florinda. “Então, vamos falar da senhora. O que sente, o que pensa, que opinião tem sobre MIM…” Soa ridículo, não? Pior que é assim que parecem alguns de nossos louvores “a Deus”.

Claro que Deus vem em nosso socorro. Claro que temos que exaltar os poderosos feitos de Suas mãos. O problema é que ELE deve ser o foco, não um coadjuvante na sua história de vitória. Não tenho visto isso em muitos dos cânticos que vemos hoje em dia. Não se pede, se ordena. E aí de Deus se Ele não fizer! Pior, está virando um grande imposto de renda. Eu declaro, eu quero minha restituição. Tributar que é bom, necas… Esse triunfalismo, essa coisa do crente não poder sofrer ou sempre se dar bem no final não é bíblico. Esquecem-se da história de Paulo, por exemplo. Olha o que ele diz aos tessalonicenses: “Por isso, quando não pudemos mais suportar, achamos por bem permanecer sozinhos em Atenas e, assim, enviamos Timóteo, nosso irmão e cooperador de Deus no evangelho de Cristo, para fortalecê-los e dar-lhes ânimo na fé, para que ninguém seja abalado por essas tribulações. Vocês sabem muito bem que fomos designados para isso. (I Ts 3:1-3, grifo meu ). Ou então, olha o testemunho aos filipenses, do qual normalmente só se enfatiza a segunda parte: “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.” (Fp 4:12-13) Mas, no final ele se deu bem, não? Depende do que definimos como final. Se for no final da vida terrena, acho que não. A menos que ser decapitado seja um final feliz. Agora, se falarmos do porvir, certamente ele venceu e herdou a vida Eterna. Combateu (não disse venceu) o bom combate, terminou a corrida (não disse em primeiro) e guardou a fé. Isso sim é vitória! Não o conceito hollywoodiano do mocinho sempre se dando bem no final. Vide o número de mártires do cristianismo. Não fomos chamados pra vencer aqui. Aqui somos militantes, na Eternidade é que seremos triunfantes! Teremos lutas, calmarias, vitórias, derrotas, paz, tristeza… Deus sempre estará conosco, mas, não nos garante bonança. Nos garante consolo! Perdeu-se a visão escatológica, a visão do porvir. Hoje se vive como se o céu fosse aqui. O Reino é chegado, mas, não plenamente. Isso, só no porvir. Porém, isso é assunto pra outro texto.

Mas o pior é que temos outro tipo de música, mais lamentável ainda. O “louvor” de birrinha, que em nada se parece com um Salmo imprecatório. Olha isso aqui:

“Quem te viu passar na prova e não te ajudou
Quando ver(sic) você na benção vai se arrepender
Vai estar entre a plateia e você no palco”

COMO ASSIM?! É tipo um toma trouxa! Eu tenho benção, você não tem.  Cara, isso é surreal. Por isso a comparação com músicas de torcida. É um “nós vamos ganhar e vocês, ímpios malditos, vão perder.” Cara na poeira! Com o perdão da palavra, é o equivalente ao jargão futebolístico “chupa”. “Ai, que feio falar assim André”.  É amigo, só as palavras foram mais “delicadas”. Ou, então, Jesus estava enganado quando disse: ”Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus.” (Lc 6-25) Que raios de revanchismo é esse? De que evangelho foi tirado? Valendo-me novamente do Chaves, é o evangelho segundo o Quico! “Eu tenho um pirulito (ou uma benção) e não te dou!”

Não quero ser exaustivo aqui. Se pegarmos pra analisar o que o mercado gospel nos oferece teremos uma série de coisas do gênero. Não me interessa quem canta, de que igreja é,  quem é o pastor. O caso é que isso não é louvor a Deus. É louvor ao ego. Saudade dos velhos hinos do passado. Saudade das canções dos Vencedores por Cristo (e não dos Vendedores de Cristo), do MILAD, do Asaph e de outros tantos. Bendito seja Deus pelo Gérson Borges, pelo Stênio, pelo Bomilcar e outros que não se deixaram levar por essa onda. Precisamos resgatar o centro de nosso louvor.  Como Paulo escreveu aos Romanos: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A Ele seja a glória para sempre! Amém.” Inclusive, comece lendo as doxologias de Paulo. As encontrará, normalmente, ao final de suas cartas. São palavras de louvor, de adoração e glorificação. É um bom caminho para aprender a louvar Deus. Sim, a vitória é certa, mas, não essa vitória materialista. Somos mais que vencedores em Cristo. Ele venceu e nos deu a vitória que será definitiva no céu. Por aqui temos um combate a lutar, uma corrida a correr e uma fé a guardar.

Soli Deo Gloria

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Muito além de uma cura

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Vamos ser sinceros. Se tem algo desafiador na leitura completa da Bíblia é passar por Levítico. A menos que você seja jurista, advogado ou algo que o valha, aquele monte de lei, decretos, regras e etc estão longe de ser a literatura mais interessante a ser lida. Eu mesmo já li Gênesis e Êxodo algumas vezes. Agora, passar por Levítico sempre foi uma luta; pouquíssimas vezes vencida. Estou lendo a Bíblia num formato bastante legal, em ordem cronológica. É um material valioso que a Editora Vida publicou no Brasil, usando a Nova Tradução Internacional como texto base. E não, não ganho um centavo pra promover este material, só gostei muito mesmo! A vantagem de ler assim é que o texto de Levítico acaba ficando diluído em meio a outros de mesmo estilo. Grande parte da Lei acaba ficando junta e acaba fazendo mais sentido numa leitura corrente.

Mesmo assim admito ter uma enorme dificuldade de entender todo o significado das Leis do Antigo Testamento. Embora saiba que a intenção é didática – mostrar ao povo como se relacionar com um Deus Santo e como estamos longe de podermos, por nossos próprios meios, nos apresentar puros a Ele – ainda me sinto um pouco frustrado por não entender melhor alguns pormenores da lei. Porém, algumas coisas precisam ficar claras. A principal delas é que o Espírito Santo é nosso grande aliado na interpretação da Bíblia. Ler as Escrituras sem se colocar humildemente como alguém que precisa do Espírito para entendê-la é um erro sem tamanho. Outro ponto importante é lembrar o quão sui generis é a Bíblia. Ao mesmo tempo em que é uma compilação de vários escritos, de várias épocas, idiomas, autores e culturas, é um livro só. A mensagem da Bíblia é única e totalmente harmoniosa. Por fim, valho-me da Confissão de Fé de Westminster: “A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente”. Em resumo, a Bíblia é a melhor intérprete de si mesma.

 

Toda essa introdução é para mostrar o quanto precisamos ler com o mesmo cuidado toda a Palavra. Sim, até as genealogias e leis civis israelitas podem “esconder” algo valioso que em algum momento explicará alguma outra passagem. Mostrarei agora o como isso me ajudou a entender melhor a profundidade de uma passagem do ministério de Jesus. Transcrevo abaixo o texto de Levítico 15:19-27

“Quando uma mulher tiver fluxo de sangue que sai do corpo, a impureza da sua menstruação durará sete dias, e quem nela tocar ficará impuro até à tarde. Tudo sobre o que ela se deitar durante a sua menstruação ficará impuro, e tudo sobre o que ela se sentar ficará impuro. Todo aquele que tocar em sua cama lavará as suas roupas e se banhará com água, e ficará impuro até à tarde. Quem tocar em alguma coisa sobre a qual ela se sentar lavará as suas roupas e se banhará com água, e estará impuro até à tarde. Quer seja a cama, quer seja qualquer coisa sobre a qual ela esteve sentada, quando alguém nisso tocar estará impuro até à tarde. Se um homem se deitar com ela e a menstruação dela nele tocar, estará impuro por sete dias; qualquer cama sobre a qual ele se deitar estará impura.

Quando uma mulher tiver um fluxo de sangue por muitos dias fora da sua menstruação normal, ou um fluxo que continue além desse período, ela ficará impura enquanto durar o corrimento, como nos dias da sua menstruação. Qualquer cama em que ela se deitar enquanto continuar o seu fluxo estará impura, como acontece com a sua cama durante a sua menstruação, e tudo sobre o que ela se sentar estará impuro, como durante a sua menstruação. Quem tocar em alguma dessas coisas ficará impuro; lavará as suas roupas e se banhará com água, e ficará impuro até à tarde.“

A história da mulher como o fluxo ininterrupto de sangue está descrita nos três Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). Em ambos os casos está colocada no meio da história da cura da filha de Jairo. É importante ressaltar que nem todos os acontecimentos da vida de Jesus aparecem em todos os Evangelhos Sinóticos e, quando acontece isso, devemos dar alguma importância especial ao fato. Lembrando rapidamente da história, havia uma mulher que tinha um fluxo de sangue ininterrupto por 12 anos. Quem convive com uma mulher e, principalmente, quem é mulher deve imaginar o tamanho desconforto que isso geraria. Se uma semana de menstruação já é desagradável, imagine mais de 600. Consecutivas.  Só isso já nos faz ter pena da situação dela. Porém, e é esse o ponto que quero ressaltar, olhar para a lei deixa tudo muito mais dramático. Eram doze anos sem poder ter uma vida normal. Se fosse casada, sem poder dormir com o marido. Se tivesse filhos, sem poder sentar-se no mesmo lugar que eles. Era considerada suja e impura para a comunidade. Cá entre nós, que vida social ela tinha? Deveria ser falada por muitos, olhada com certo asco por outros. “Coitada”, devia ser o sentimento de alguns. “Algum pecado escondido deve ter causado isso”, pensariam outros. Uma coisa garanto: A palavra normal não poderia ser aplicada à sua vida. A dimensão do problema dela fica bem mais clara à luz das restrições sociais a ela impostas pela lei. Mais que um sofrimento físico, havia uma dor psicológica, um sentimento de desprezo perante sua comunidade. Vê como tudo fica mais evidente?

Aquela mulher já tinha ido buscar alternativas. Gastara tudo o que tinha com médicos e nada conseguira. Estava fadada a viver daquele modo para sempre. Sempre a margem. Sempre excluída. Sempre impura. A decisão de procurar Jesus foi desesperada, era sua última chance. Se Ele não resolvesse, quem mais poderia resolver. Porém, como sair a público assim? Qualquer um que esbarrasse nela seria “contaminado” com sua impureza. Se fosse descoberta certamente teria problemas. Ela deixou o medo e a timidez de lado e foi para o meio do povo. Não só foi um ato de desespero, mas também de coragem. Não queria nem falar com Jesus, não seria necessário. Sua fé era tão grande que sabia que se simplesmente tocasse em suas vestes seria curada. Não tinha dúvidas disso. E foi o que fez. Na hora Jesus percebeu o que havia acontecido. “Quem me tocou?” A pergunta soava até meio bizarra. Tinha centenas de pessoas em volta Dele, se acotovelando. É evidente que alguém tocaria Nele. Na verdade, um monte de gente o faria! Mas, não foi um esbarrão, um toque qualquer. “De mim saiu poder”, disse o Mestre. Jesus sabia que quem o tocou fizera sabendo que seria curada. Sabia o tamanho do gesto de fé que acabara de acontecer. Constrangida, a mulher se acusou. Esperava o julgamento. Sabia que corria o risco de tomar uma descompostura de Jesus. Sem falar que quando o sacerdote soubesse ela estava perdida. Ela não tinha escolha. Acusou-se e se prostrou aos pés de Cristo. Contou a Ele o motivo que a levou a tocá-lo. Seu sofrimento e como nenhum médico a pudera curar. Mas, que bastou tocar a orla das vestes de Jesus e sua hemorragia cessou. É evidente que Cristo sabia de tudo isso. Queria mostrar seu poder à multidão e evidenciar o gesto de fé daquela mulher. Quem lá estava sabia bem das implicações do problema dela e de como isso impactava em sua vida. As doces palavras do Mestre selaram a história: “Filha, vá em paz. Tua fé te curou.” Sim, era o fim. Ela estava de volta à sociedade. Acabou o sofrimento!

O que quero enfatizar aqui é como conhecer bem a Palavra torna mais rica sua leitura. Fosse só uma cura de uma hemorragia já seria algo magnífico, miraculoso. Porém, há um pano de fundo importante aí. O sofrimento era maior que se pode imaginar a primeira vista. Jesus a curou e lhe restaurou uma vida plena. Trouxe a dignidade para aquela mulher, ela poderia voltar a ter uma vida normal. Isso é fantástico! Espero que esse exemplo tenha sobre você o mesmo impacto que teve sobre mim. Não despreze nenhuma parte da Palavra. Pode ser que um texto em si próprio não diga muita coisa, mas, dentro de um contexto geral ele pode abrir bem seus olhos para que entenda melhor alguma mensagem. Leia a Bíblia com reverência, atenção e cuidado. Não é nada místico não. Apenas um modo de entender melhor a Palavra dada por Deus para nós. E jamais deixe de pedir que o Espírito te ilumine. Faça a oração do salmista: “Desvenda os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei.” Certamente a Bíblia será cada vez menos enigmática para você e te ensinará a viver melhor a vida que Deus quer pra ti.

Soli Deo Gloria

P.S. Recomendo que ouça essa música. Certamente vai te ajudar muito a entrar nessa bela história. http://www.youtube.com/watch?v=zoka7zPcca0

 

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É preciso muita fé para duvidar

Era de manhã. Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e outras mulheres foram ao túmulo do Mestre. Chegando lá viram a pedra rolada e não havia ninguém no túmulo. Vazio. O túmulo estava exatamente como seus corações. Vazio. Onde teriam posto o corpo do Mestre? Maria Madalena estava assustada e maravilhada e foi contar aos discípulos. Pedro e João foram correndo ao túmulo. João, o discípulo amado, percebeu um pequeno detalhe. Os lençóis que cobriam o corpo de Cristo estavam jogados ao chão, mas havia um lenço à parte, dobrado.  Qualquer garoto judeu entenderia aquele sinal. Se um amo levantasse da mesa e deixasse um lenço amontoado ao lado significaria: “Já terminei”. Porém, um lenço dobrado era um recado ao servo: “Eu voltarei.” João entendeu aquilo. Jesus estava vivo. Ele ressuscitara dos mortos, conforme as Escrituras. Porém, nem todos acreditaram naquela linda História. Vamos ver algumas reações e teorias sobre o que houve.

Maria ficou do lado de fora do túmulo, chorando. Olhando para dentro viu dois anjos que perguntaram por que ele chorava. “Levaram o corpo de meu Mestre”, lamentava-se. Virou-se e viu um homem. “A quem procuras?”, perguntou ele. Imagino que Maria, desesperada, deve ter gritado com ele quando disse: “Senhor, onde você o colocou? Conte-me, por favor!”. Este homem era Jesus. Docemente disse: “Maria!”. Não poderia ser verdade. Era o Mestre. Vivo! “Raboni”, exclamou. Jogou-se aos seus pés e o adorou. Depois, foi contar a todos o que vira.

Imagine os soldados. A Bíblia não descreve detalhes, mas, deve ter sido um belo susto ver Jesus saindo do túmulo. Ver os anjos rolar a pedra. Cara, um morto havia levantado! Eram destemidos soldados romanos, mas, quem não se assustaria com aquilo? Fugiram em disparada. Alguns desapareceram. Outros foram contar a novidade aos religiosos de Jerusalém. Ficou acertado entre eles qual seria a versão. Os sacerdotes deram um dinheiro para os soldados dizerem que cochilaram e os discípulos foram e roubaram o corpo. Digamos que isso não cairia bem para os soldados quando o Governador soubesse. Os sacerdotes os acalmaram. Dariam um jeito de livrá-los. A história a ser contada deveria ser aquela.

Dois discípulos caminhavam pela estrada de Emaús. Conversavam, tristes, sobre tudo o que havia ocorrido. Jesus chegou perto e foi caminhando com eles. “Por que essa tristeza?”, perguntou. Acho que eles devem ter ficado irritados. Como esse cara não sabia o que havia ocorrido? Contaram-lhe tudo. Jesus ouviu e os indagou. “Vocês estão surpresos com o que? As Escrituras já haviam avisado sobre isso”. Amorosamente ensinava-os sobre o que Moisés e os Profetas haviam dito sobre tudo aquilo. Era tarde, convidaram-no para entrar. Antes da refeição Jesus orou e partiu o pão. “Peraí”, pensavam. “Quem mais pode ser este se não Jesus?” O Mestre sumiu. “Como não percebemos antes?”, disseram. “Não queimava nosso coração ao ouvi-lo?”. E foram contar aos 11. Lá chegando e contando a história Jesus apareceu a todos. Ou melhor, quase todos. Tomé não estava lá. “Só acredito vendo e tocando em suas feridas”. Teimoso… Eu faria igual, creio… Oito dias depois Jesus apareceu lá novamente. Lá estava Tomé. Jesus, carinhosamente pediu que tocasse em suas feridas. Não foi preciso. Tomé creu na hora. “Deus meu e Senhor meu”. Como não crer?

Pois bem, até hoje tentam diminuir esta Verdade sem igual. O iluminismo fez com que o racional desacreditasse em todo o sobrenatural. Triste. O ceticismo era tamanho que era necessário achar alguma resposta para uma evidência absolutamente irrefutável: o túmulo vazio. Primeiramente, a mais simples de todas. Erraram o túmulo. Maria e as mulheres foram no túmulo errado. Perfeito, faz sentido. Porém, por que então os sacerdotes e fariseus subornaram os soldados para inventar a história que comentei acima. Seria mais fácil ir ao túmulo correto e mostrar a “verdade”. Argumento 1 furado. Continuemos.

“Os discípulos foram lá em roubaram o corpo de Jesus”. Sim, um destacamento romano INTEIRO teria cochilado e não teria visto os caras chegarem, rolarem uma pedra gigante e levar o corpo de Cristo embora. Sei… E se acordaram, os corajosos discípulos, que fugiram na hora da prisão, desolados com a perda do seu Mestre, foram, lutaram e venceram os soldados romanos. Cara, se exércitos muito maiores e mais poderosos levavam um couro de pequenos destacamentos romanos, como aqueles discípulos medrosos os venceria? Furadaça!

A próxima teoria é divertida. Quem disse que Jesus morreu. Ele desmaiou e ninguém percebeu. Acordou uma hora, levantou, rolou a pedra enorme sozinho e foi embora. Faz todo o sentido! Quem não rolaria uma pedra daquelas depois de recobrar a consciência? Quem inventou essa devia ser piadista. Do Zorra Total…

Mas, sabe o que confirma de vez a verdade? O modo como morreram cada um dos discípulos, que vieram a ser Apóstolos. Mesmo tendo suas vidas em risco, ou negariam a Jesus ou morreriam, todos morreram pela Verdade. Um ou dois, até vá lá. Logo algum iria pensar bem e dizer: “Para. Contarei a verdade. Jesus não ressuscitou nada. Era mentira”. Pronto, acabava o problema! Não, TODOS foram até a morte garantindo a Verdade. O que eles teriam a ganhar com a mentira? Dinheiro? Pesquise sobre a vida deles. Ao contrário dos apóstolos da TV, os verdadeiros Apóstolos de Cristo não enriqueceram, não ganharam poder, não levaram nenhuma vantagem… Vejamos: Pedro, crucificado de ponta cabeça. André, crucificado em X. Tomé, morto por lança por 4 soldados. Filipe, crucificado ou torturado. Bartolomeu, esfolado vivo. Tiago Zebedeu, decapitado. Tiago Alfeu, apedrejado. Simão Zelote e Judas Tadeu, a machadadas. Mateus, martirizado. Só João morreu de forma natural, pregando o Evangelho até o último dia de sua vida. Será que todos eram mentirosos? Todos deram a vida por uma balela? DUVIDO!

Honestamente, olho pra todas essas histórias e para as bizonhas teorias dos céticos e só penso uma coisa: não tenho fé suficiente para duvidar da Verdade Bíblica. Sei em quem tenho crido. Sei o quanto é poderoso. Sei que é Verdade! Se tinha um ou dois anjos, não importa. Se quem viu primeiro foi Pedro ou Maria, pouco interessa. Sei de algo: “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?”. Sei que meu Mestre vive e está assentado à destra de Deus Pai, governando o Mundo. E voltará para me buscar para viver no Seu Reino. Ele me resgatou do império das trevas e me levou para Seu Reino. Sei que Ele vive! Bendito seja o Cordeiro de Deus que limpa o pecado do Mundo. Santo, Santo, Santo és tu, Filho do Deus vivo. Bendito para sempre. Reinará de Eternidade em Eternidade. E lá estarei, junto com os anjos, louvando meu Salvador para sempre. Aleluia! Amém!

Soli Deo Gloria

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Deus está morto

Creio que já tenha ouvido esta frase alguma vez. Quem a criou foi Friedrich Nietzsche e a imortalizou em “Assim falou Zaratrusta”. O contexto original da frase é filosófico. Segundo ele, a humanidade não necessitava mais de Deus para responder nenhuma de suas questões sobre a vida. O que quero refletir hoje nada tem a ver com o contexto de Nietzsche. Quero refletir um pouco sobre o sábado, chamado de Aleluia. Quinta, sexta e domingo de Páscoa têm vastos registros nas Escrituras. O Sábado não. Logo, admito que o que escreverei aqui é uma inferência, apenas o que creio que possa ter passado no coração de alguns dos personagens da História de Cristo.

Jesus Cristo estava morto, sepultado dentro da tumba oferecida por José de Arimatéia. De certa forma, em nenhum outro momento da história a frase de Nietzsche faria tanto sentido. Começo pensando no que passava na mente e coração dos escribas e fariseus. Pra eles, a frase teria um sentido de chacota. “O filho de Deus? Tá lá, morto.” “Era mais um engodo. Outro enganador safado que queria se passar pelo Messias”. A sensação era de vitória. E, por mais estranho que pareça, uma vitória em nome de Deus. Na cabeça deles, eles estavam fazendo algo para honra de Deus, eliminando mais um blasfemador, mais um falso profeta que estava enganando o povo. Justiça foi feita. Mal sabiam o quanto enganado estavam.

De outro lado estavam os discípulos e seguidores de Cristo. O sentimento deles era outro. Deus estava morto. O Deus deles estava morto. “Deixamos tudo por Ele. Depositamos todas as nossas esperanças Nele. À toa”. Entregaram tudo por Ele. Deixaram família, amigos, a comunhão na Sinagoga. A vida toda seriam os “trouxas” que seguiram aquele maluco que se passava pelo Cristo. Sabe o que achamos dos discípulos do Inri Cristo? Então, era essa a imagem que teriam deles. Decepção. Tristeza. Desesperança. E agora? Como reconstruir a vida? Como explicar para os antigos amigos que aquele por quem eles abandonaram tudo tinha morrido? Como ser aceito novamente na sinagoga? Como ser aceito de novo na comunidade? O sonho teria acabado?

Incrível como, em ambos os casos, uma percepção errada da fé fez com que eles se enganassem sobre a verdade. Escribas e fariseus conheciam muito bem Moisés e os Profetas. Deveriam ter visto os inúmeros sinais que a vida de Jesus dava de que Ele era o verdadeiro Messias. Pelo menos pelas obras, como as do Pai. No caso dos discípulos, quantas vezes Jesus Cristo disse o que ocorreria com Ele? Na última Ceia mesmo foi tão claro? Cadê a fé deles? Jesus foi claro. “Ressuscitarei ao terceiro dia e vou encontrá-los na Galiléia”. Fica muito claro pelos relatos do domingo que eles não acreditaram ou nada entenderam.

Aquele sábado, definitivamente, foi um dia estranho. Uma alegria enganada de uns e uma tristeza que, em poucas horas, se transformaria numa alegria sem medida para outros. A alegria pela morte duraria um dia. A alegria pela vida durará a Eternidade.

Soli Deo Gloria

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