Uma pluralidade meio singular

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Yelena Isinbayeva, bicampeã olímpica, tri mundial e 16 vezes recordista mundial de salto com vara. Pra muitos, a versão feminina de Sergei Bubka, outro mito do salto com vara. Esta semana, mais uma vez Isinbayeva arrebentou com a concorrência e levou seu terceiro título mundial, em sua terra natal, a Rússia. Porém, uma declaração dela acabou ofuscando seu talento. Ao comentar sobre manifestações pró-gays nos eventos, ela deu as seguintes declarações: “É um desrespeito com o nosso país e nossos cidadãos. Nós, russos, somos diferentes do restante da Europa. Temos nossa casa e nossas leis, e todos devem respeitá-las. Inclusive, eu concordo com elas”. “Quando vamos a outros países, tentamos seguir suas regras”. “Estamos com muito medo em relação à nossa nação. Nos consideramos pessoas normais, dentro do padrão. Vivemos com homens ao lado de mulheres e mulheres ao lado de homens. Tudo deve ser assim, é histórico. Nós nunca tivemos problemas assim na Rússia, e não queremos ter no futuro”. Convenhamos, o talento da russa nas pistas de atletismo não foi o mesmo com as palavras. Mas, há algo aí que acho que precisamos pensar.

Há um clamor dos setores mais progressistas por pluralidade na sociedade. Pois bem, quando há uma opinião politicamente incorreta o pessoal entra em parafuso. Não se deseja pluralidade? Por que, então, não aceitar que TODOS tem direito a opinião? Creio que o que temos é um entendimento errado da liberdade de expressão. No meu ponto de vista, todos tem o direito de manifestar sua opinião, seja ela qual for. Entretanto, devem arcar com as consequências disso. Quer sejam jurídicas, quer sejam políticas, quer sejam sociais. E mais, devem estar preparados para uma réplica e devem ter direito a uma tréplica. É assim que devia acontecer. Por que, então, só se luta pelo direito de expressão dos “politicamente corretos”?

Tenho uma posição definida em relação ao homossexualismo. Porém, não tem como negar que Isinbayeva foi infeliz em suas palavras.  Talvez pela falta de domínio do idioma inglês, talvez por se expressar mal ou, porque não, por realmente pensar isso. Pode-se dizer que a opinião dela foi preconceituosa, mas, em nenhum momento incitou a violência contra homossexuais. Além disso, recebeu uma enxurrada de críticas pelo que falou. É assim que funciona uma sociedade plural. Você tem todo direito de ser polêmico. Porém, esteja pronto para ouvir e debater com quem discorda. De preferência sem “ad hominen”. Simplesmente desqualificar quem emite a opinião é algo que acaba com qualquer argumento. Tive a infeliz ideia de ler alguns comentários da notícia das declarações. Um dizia algo como “pra ser preconceituosa assim, só pode ser crente”. Além de usar um “ad hominen”, o comentador atacou preconceito com preconceito. Complicado, não?

Não tem jeito. Uma sociedade madura precisa que progressistas e conservadores tenham direito a opinião. Se acha que a polícia deve ser desmilitarizada, esteja pronto para ouvir que bandido bom é bandido morto. Se é contraio ao aborto, esteja pronto pra explicar porque não adota uma criança que a mãe abortaria. E por aí vai. O confronto de opiniões é sempre válido. Só assim a sociedade cresce. Fico com Voltarie e sua célebre frase: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”. Um mundo de uma opinião só é uma ditadura. Que todos tenham direito de dizer o que quiserem. E que aceitem ser questionados e arquem com as consequências do que dizem.

Soli Deo Gloria

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